domingo, 28 de dezembro de 2008
Somato-psychopédagogie
http://www.somato-psychopedagogie.com/
Muito interessante.
No futuro seria interessante ver com a dolandina
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Mestrado em Psicopedagogia Perceptiva
Direcção e coordenação pedagógicas: Prof. Doutor Danis Bois, Prof. Doutor Marc Humpich, Prof. Doutora Maria Leão
Aprovado o registo de adequação a Bolonha, Despacho n.o 6039/2007 (2.a série), R/B - AD - 516/2007)
Apresentação
Desde 2001 que a Universidade Moderna de Lisboa (UML) organizou Pós-Graduações de duas natureza:
• Caracterizadas por apresentarem uma dimensão mais vocacionada para o desenvolvimento da abordagem das dores físicas e dos sofrimentos psíquicos através da mediação cognitivo-corporal;Estas iniciativas obtiveram reconhecido sucesso internacional, acolhendo cada ano, cerca de 90 estudantes de 11 nacionalidades.
• Caracterizadas por apresentarem uma dimensão mais focalizada para a arte terapia performativa e para o desenvolvimento do ser.
Desde 2004 a UML propõe uma formação para a investigação no quadro de um Mestrado. Esta formação é um prolongamento dos esforços de investigação conduzidos há mais de 25 anos pelo Professor Doutor Danis Bois e pela sua equipa, nos domínios de exploração do movimento humano e da subjectividade.
O Mestrado propõe explorar os processos de saúde, de transformação e de aprendizagem através da mediação corporal. A psicopedagogia perceptiva inscreve-se no campo cruzado da psicopedagogia e das ciências da saúde.
É uma especialização em novas metodologias de acompanhamento terapêutico-pedagógico centradas na dimensão perceptiva das interacções humanas. De carácter inovador, estas metodologias atribuem um papel preponderante ao corpo, ao movimento e aos processos perceptivo-cognitivos do indivíduo, visando essencialmente uma transformação das suas representações motoras, perceptivas e conceptuais.
Aplicando técnicas exclusivas de entrevista de mediação corporal de natureza não verbal (manual e gestual), introspectiva e verbal, realizamos uma abordagem psicoterapêutica, utilizando instrumentos pedagógicos que transformam a pessoa no âmago da sua essência.
O Mestrado em Psicopedagogia Perceptiva é articulado em torno de três prioridades:
• O desenvolvimento competências práticas inovadoras no campo profissional e pessoal.
• A vivência de um processo de transformação existencial rumo à globalidade do ser humano.
• A produção de um trabalho de investigação que abre novas perspectivas profissionais.
Site de apoio
Destinatários
• Profissionais da saúde: médicos, fisioterapeutas, profissionais da psicomotricidade, enfermeiros, terapeutas da fala, psicólogos, psicopedagogos.O Mestrado está aberto aos titulares de uma licenciatura. A entrada em vigor da Lei de Bolonha permite igualmente o acolhimento de pessoas que não possuam licenciatura, mas que se candidatam através de um processo de Validação de Aquisições Profissionais (VAP).
• Profissionais da educação: professores, professores de educação física, professores de dança, educadores, educadores especializados.
• Profissionais das artes e das disciplinas ligadas ao movimento: bailarinos, comediantes.
A equipa pedagógica
A partir de 2007 professores de prestígio internacional vêm associar-se ao corpo docente para constituir uma equipa pedagógica única na Europa e propor uma formação de particantes-investigadores, altamente performativa nos domínios da educação e do cuidado.
Danis Bois - Professor Catedrático Convidado na Universidade Moderna de Lisboa (UML). Fundador da Psicopedagogia Perceptiva e Director-Geral do Centro de Estudos e Investigação Aplicada em Psicopedagogia Perceptiva (CERAP). Investigador em Didáctica e Organização das Instituições Educativas (Universidade de Sevilha).
Maria Leão - Professora na UML e Investigadora no CERAP no domínio das artes performativas. Doutoramento em Estética, Ciência e Tecnologia das Artes (opção de estudos teatrais e coreográficos).
Marc Humpich - Professor Associado na UML. Coordenador do Mestrado em Psicopedagogia Perceptiva. Doutor em Ciências e Investigador do CERAP no domínio dos processos atencionais e da relação ao sentido. Professor Associado no Departamento de Ciências Humanas na Universidade do Quebec em Rimouski (Canadá). Investigador na equipa Dinâmica e desafios da diversidade - línguas, cultura, formação da Université François Rabelais de Tours (França).
Didier Austry - Professor Convidado na UML. Investigador Associado no CERAP no domínio das Ciências Cognitivas, da Fenomenologia e das Abordagens Qualitativas. Doutor em Ciências e Investigador no Departamento de Filosofia na Université de Rouen (França).
Christine Delory-Momberger - Mestre de Conferências HDR em Ciências da Educação na Université Paris 13 (França). As suas investigações estão orientadas em duas direcções principais: a investigação biográfica em educação e em formação de adultos e a antropologia histórica e cultural da educação.
Elsa Lechner - Doutora em Antropologia, investigadora associada no Instituto das Ciências Sociais da Universidade Lisboa.
Eve Berger - Professora visitante na UML e Investigadora do Laboratório Expérice da Université Paris 8. É investigadora especialista do CERAP no domínio da questão do corpo em Ciências da Educação e das aprendizagens através da mediação corporal.
Franz Baro - Neuropsiquiatra, Professor emérito da Université Catholique de Louvain (Bélgica), Director do Centre Psychiatrique Universitaire St-Camille, Encarregado da questão da higiene mental junto da Organização Mundial de Saúde.
Jeanne-Marie Rugira - Professora em Psicossociologias na Université du Québec em Rimouski (Canadá). Fundou o Groupe de Recherche pour les Approches Perceptives de l’Accompagnement (GRAPA), cujos princípios teóricos e os métodos são principalmente inspirados nos trabalhos de investigação conjunta com o CERAP.
Marie-Christine Josso - Professora da l’Université de Genève (Suíça), socióloga e antropóloga, é fundadora da Association Internationale des Histoires de Vie en Formation. Participa em acções de formação e investigação em Portugal, no Brasil, em Itália e nos países francófonos da União Europeia.
Pierre Paillé - Professor na Université de Sherbrooke (Canadá), é fundador da revista internacional «Recherches qualitatives»; contribuiu enormemente para a investigação qualitativa em ciências humanas e sociais e continua esta acção internacionalmente.
Pierre Vermersch - Investigador no CNRS (França), fundador do Groupe de Recherche sur l’Explicitation (GREX), os seus resultados de investigação e a sua metodologia da «entrevista de explicitação» conhecem uma audiência universitária e profissional internacional.
No âmbito deste mestrado realiza-se de 18 a 20 de Maio de 2007, em Atenas, o Congresso Internacional VERS L’ACCOMPLISSEMENT DE L’ETRE HUMAIN - Soin, croissance et formation
Fim-de-semana de divulgação dia 14 e 15 de Julho das 10h às 19h! Não falte!
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Distúrbios Somatoformes
Somatização
A somatização é uma doença crônica grave caracterizada pela presença de muitos sintomas físicos, particularmente uma combinação de dor e sintomas gastrointestinais, sexuais e neurológicos. As causas da somatização não são conhecidas. Ela freqüentemente ocorre em famílias. Os indivíduos com o distúrbio também tendem a apresentar distúrbios da personalidade caracterizados pelo egocentrismo (personalidade narcisista) e uma dependência exagerada de outras pessoas (personalidade dependente). Os primeiros sintomas surgem na adolescência ou no início da vida adulta e acredita-se que eles ocorram predominantemente em mulheres. Os familiares do sexo masculino de mulheres com esse distúrbio tendem a apresentar uma incidência elevada de comportamento social inadequado e de alcoolismo.
Sintomas
Um indivíduo com somatização apresenta muitas queixas físicas vagas. Embora qualquer parte do corpo possa estar afetada, os sintomas mais freqüentes são cefaléia, náusea e vômito, dor abdominal, diarréia ou constipação, períodos menstruais dolorosos, fadiga, desmaios, dor durante o intercurso sexual e perda do desejo sexual. Embora os sintomas sejam principalmente físicos, também podem ocorrer a ansiedade e a depressão. Os indivíduos com somatização descrevem os seus sintomas de forma dramática e emotiva, referindo-se a eles freqüentemente como “insuportáveis”, “indescritíveis” ou “o pior imaginável”. Nas relações dos indivíduos com somatização, emerge uma dependência extrema. Eles solicitam cada vez mais ajuda e suporte emocional e podem tornar-se enraivecidas quando sentem que suas necessidades não estão sendo supridas. Freqüentemente, eles são descritos como exibicionistas e sedutores. Em uma tentativa de manipular os outros, eles podem ameaçar ou tentar o suicídio. Comumente insatisfeitos com os cuidados médicos que recebem, eles mudam constantemente de médico. Os sintomas físicos parecem ser uma maneira de transmitir um pedido de ajuda e de atenção. A intensidade e a persistência dos sintomas refletem o desejo intenso do indivíduo de ser atendido em cada um dos aspectos de sua vida. Esses sintomas também parecem servir a outros propósitos como, por exemplo, permitir que o indivíduo evite as responsabilidades da vida adulta. Os sintomas tendem a ser desconfortáveis e impedem que o indivíduo se envolva em projetos atrativos, sugerindo que o indivíduo também apresenta sentimentos de invalidez e de culpabilidade. Os sintomas impedem que ele tenha prazer e também atuam como uma punição.
Diagnóstico
Os indivíduos com somatização não têm consciência de que o seu problema básico é psicológico e, por essa razão, eles pressionam o médico a realizar exames e tratamentos médicos. O médico é obrigado a realizar muitos exames e investigações clínicas para determinar se o indivíduo apresenta um distúrbio físico que explique adequadamente os seus sintomas. Os encaminhamentos a especialistas para consultas são comuns, mesmo quando o indivíduo já estabeleceu uma relação razoavelmente satisfatória com um médico. Após o médico haver definido que se trata de um distúrbio psicológico, a somatização pode ser diferenciada dos distúrbios psiquiátricos similares pelos seus muitos sintomas e pela tendência dos mesmos persistirem por anos. Ao diagnóstico adiciona-se a natureza dramática das queixas e um comportamento exibicionista, dependente, manipulador e, algumas vezes, suicida do paciente.
Prognóstico e Tratamento
A somatização tende a oscilar em termos de gravidade, mas ela persiste por toda a vida. A obtenção de um alívio completo dos sintomas durante um longo período de tempo é rara. Alguns indivíduos apresentam uma depressão mais evidente no decorrer dos anos e suas referências ao suicídio tornam-se mais ameaçadoras. O suicídio é um risco real. O tratamento é extremamente difícil. Qualquer sugestão de que os sintomas são psicológicos tende a produzir sentimentos de frustração e de raiva nesses indivíduos. Conseqüentemente, o médico não pode abordar o problema diretamente como se fosse psicológico, mesmo quando ele o reconhece como tal. Os medicamentos não são muito úteis e, mesmo quando o indivíduo aceita uma consulta psiquiátrica, as técnicas psicoterápicas específicas apresentam poucas possibilidades de êxito. Geralmente, o melhor tratamento é uma relação terapeuta-paciente de apoio, relaxada e firme que provê alívio sintomático e protege o indivíduo de procedimentos diagnósticos ou terapêuticos muito caros e possivelmente perigosos. Entretanto, o profissional deve permanecer alerta frente à possibilidade de o indivíduo desenvolver uma doença física.
Síndrome de Munchausen: Fingir Doença para Chamar Atenção
A síndrome de Munchausen, também denominada simulação, não é um distúrbio somatoforme, mas as suas características são algo similares aos dos distúrbios psiquiátricos sob a aparência de uma doença orgânica. A diferença fundamental é que os indivíduos com a síndrome de Munchausen simulam conscientemente os sintomas de uma doença. Eles inventam repetidamente doenças e freqüentemente vão de hospital em hospital em busca de tratamento. Contudo, a síndrome de Munchausen é mais complexa que a simples e desonesta invenção e simulação de sintomas. Ela está associada a problemas emocionais graves. Os indivíduos com esse distúrbio geralmente são bem inteligentes e cheios de recursos. Eles não somente sabem como simular doenças, mas também possuem um conhecimento sofisticado das práticas médicas. Eles são capazes de manipular seus cuidados para serem hospitalizados e submetidos a uma enorme quantidade de exames e tratamentos, incluindo cirurgias de grande porte. Suas fraudes são conscientes, mas a sua motivação e busca por atenção são em grande parte inconscientes. Uma variante curiosa da síndrome é denominada Munchausen por substituto. Nesse distúrbio, uma criança é utilizada como paciente passivo, geralmente por um dos genitores. O genitor falsifica a história médica da criança e pode causar-lhe danos com medicamentos ou adicionando sangue ou contaminantes bacterianos em amostras de urina, orientando todo o seu esforço para simular uma doença. A motivação subjacente a esse comportamento tão estranho parece ser uma necessidade patológica de atenção e de manter uma relação intensa com a criança.
Conversão
Na conversão, os sintomas físicos causados por conflitos psicológicos assemelham-se aos de um distúrbio neurológico ou de outras condições médicas. Os sintomas da conversão são claramente causados pelo estresse e pelos conflitos psicológicos, que os indivíduos convertem inconscientemente em sintomas físicos. Embora os distúrbios da conversão tendam a ocorrer durante a adolescência ou no início da vida adulta, eles podem ocorrer pela primeira vez em qualquer idade. De modo geral, acredita-se que se trate de um distúrbio um pouco mais comum em mulheres que em homens.
Sintomas e Diagnóstico
Por definição, os sintomas da conversão são limitados àqueles que sugerem uma disfunção do sistema nervoso (geralmente a paralisia de um membro superior ou inferior ou a perda de sensibilidade de uma parte do corpo). Outros sintomas incluem as convulsões simuladas e a perda de um dos sentidos (p.ex., audição ou visão). Geralmente, o início dos sintomas está relacionado a algum acontecimento social angustiante ou psicologicamente estressante. O indivíduo pode apresentar apenas um episódio isolado ou episódios esporádicos, os quais são geralmente de curta duração. Quando os indivíduos com sintomas de conversão são hospitalizados, eles geralmente apresentam uma melhoria em duas semanas. No entanto, 20% a 25% deles apresentam recaídas ao longo de um ano. No início, o diagnóstico tende a ser difícil porque o indivíduo acredita que os sintomas são decorrentes de um problema físico e não deseja ser examinado por um psiquiatra. O médico assegura- se cuidadosamente de que os sintomas não possuem uma causa física.
Tratamento
Para o tratamento, é essencial que exista uma relação de confiança entre o médico e seu paciente. Quando o médico avalia um possível distúrbio físico e tranqüiliza o paciente dizendo que os sintomas não indicam uma doença subjacente grave, ele comumente começa a sentirse melhor e os sintomas desaparecem. Quando uma situação psicologicamente estressante precede o surgimento dos sintomas, a psicoterapia pode ser particularmente eficaz. Algumas vezes, os sintomas de conversão retornam com freqüência, chegando mesmo a tornar-se crônicos. Vários métodos de tratamento foram tentados (alguns podendo ser úteis), apesar de nenhum deles ter produzido um resultado uniformemente eficaz. Um do métodos mais utilizados é a hipnoterapia: o paciente é hipnotizado e os aspectos psicológicos supostamente responsáveis pelos sintomas são identificados e discutidos. A discussão continua após a hipnose, quando o indivíduo encontra-se totalmente alerta. Outros métodos incluem a narcoanálise, um procedimento semelhante à hipnose, mas que prevê a administração de um sedativo para a indução de um estado de semiadormecimento. A terapia de modificação do comportamento, incluindo o relaxamento, também revelou ser eficaz para alguns indivíduos.
Hipocondria
A hipocondria é um distúrbio psiquiátrico no qual o indivíduo refere sintomas físicos e mostra-se particularmente preocupado por acreditar firmemente que eles representam uma doença grave.
Sintomas e Diagnóstico
As preocupações do invíduo pela gravidade da doença baseiam-se freqüentemente em uma interpretação incorreta das funções normais do organismo. Por exemplo, os ruídos intestinais e, algumas vezes, a flatulência e o desconforto que ocorrem à medida que os líquidos avançam através do tubo digestivo são normais. Os hipocondríacos usam esses “sintomas” para explicar a sua crença de que eles estão com uma doença grave. O fato de serem examinados e tranqülizados pelo médico não diminui suas preocupações. Eles tendem a crer que, por alguma razão, o médico não conseguiu encontrar a doença subjacente. O médico suspeita de hipocondria quando um indivíduo saudável e com sintomas pouco importantes demonstra preocupação sobre o seu significado e não reage frente às explicações do médico após uma avaliação minuciosa. O diagnóstico é confirmado quando a condição persiste durante anos e os sintomas não podem ser atribuídos à depressão ou a um outro distúrbio psiquiátrico.
Tratamento
O tratamento é difícil, pois o hipocondríaco está convencido de que algo em seu organismo encontra- se gravemente alterado. A tranqüilização não reduz essas preocupações. Entretanto, uma relação de confiança com um médico atencioso é benéfica, sobretudo se as visitas regulares ao seu consultório forem acompanhadas por uma atitude tranqüilizadora. Se os sintomas não forem adequadamente aliviados, o indivíduo pode ser beneficiado pelo encaminhamento a um psiquiatra para uma nova avaliação e tratamento, concomitantemente com o atendimento médico primário.
http://www.msd-brazil.com/msd43/m_manual/mm_sec7_82.htm
Distúrbios Psicossomáticos
Interação entre a Mente e o Corpo
O estresse social e psicológico pode desencadear ou agravar uma ampla gama de doenças como, por exemplo, o diabetes mellitus, o lúpus eritematoso sistêmico (lúpus), a leucemia e a esclerose múltipla. No entanto, a importância relativa dos fatores psicológicos varia amplamente entre diferentes indivíduos com o mesmo distúrbio. A maioria dos indivíduos, baseando-se seja na intuição seja na experiência pessoal, acredita que o estresse emocional pode precipitar ou alterar a evolução mesmo de doenças físicas graves. Ainda não está claro como esses estressores poderiam fazê-lo. Evidentemente, as emoções podem afetar certas funções orgânicas como, por exemplo, a freqüência cardíaca, a sudorese, o padrão de sono e a evacuação intestinal, mas outras relações são menos evidentes. Por exemplo, ainda não foram identificadas as vias nem os mecanismos através dos quais o cérebro e o sistema imune interagem. A mente (cérebro) pode alterar a atividade dos leucócitos (glóbulos brancos) e, conseqüentemente, uma resposta imune? Em caso afirmativo, como o cérebro comunica-se com as células do sangue? Afinal de contas, os leucócitos movem-se por todo o corpo através do fluxo sangüíneo ou no interior dos vasos linfáticos e não estão unidos aos nervos. No entanto, as pesquisas revelaram que essas relações existem. Por exemplo, a urticária pode ocorrer em decorrência de uma alergia física ou de uma reação psicológica.
A depressão pode inibir o sistema imune, tornando um indivíduo deprimido mais suscetível a determinadas infecções, como as causadas pelos vírus que causam o resfriado comum. Portanto, o estresse é capaz de causar sintomas físicos mesmo que não exista uma doença física. O corpo responde fisiologicamente ao estresse emocional. Por exemplo, o estresse pode causar ansiedade, que ativa o sistema nervoso autônomo e hormônios (p.ex., adrenalina), os quais, por sua vez, aumentam a freqüência cardíaca, a pressão arterial e a sudorese. O estresse também causa tensão muscular, produzindo dor no pescoço, nas costas, na cabeça ou em outros locais. Quando o paciente e o médico supõem que os sintomas são causados por uma doença física, o distúrbio emocional desencadeador dos sintomas pode passar despercebido. Podem ser realizados muitos exames diagnósticos infrutíferos para se descobrir a causa do aumento da freqüência cardíaca, das cefaléias, das dores nas costas, etc. Os fatores psicológicos também influenciam indiretamente a evolução de uma doença. Por exemplo, algumas pessoas gravemente enfermas negam estar doentes ou negam a sua gravidade.
A negação é um mecanismo de defesa que ajuda a reduzir a ansiedade e torna uma situação ameaçadora mais tolerável. Se a negação aliviar a ansiedade, ela poderá ser benéfica, mas também impedirá que o indivíduo siga o programa terapêutico e isto pode acarretar graves conseqüências. Por exemplo, um indivíduo com diabetes e que nega a necessidade de injeções de insulina e um controle nutricional rigoroso fatalmente irá apresentar alterações significativas da glicemia (concentração de açúcar no sangue), apresentando um risco de complicações como, por exemplo, o coma diabético. Similarmente, uma porcentagem elevada de indivíduos com hipertensão arterial ou epilepsia deixa de tomar seus medicamentos. A interação entre a mente e o corpo é uma via de duas direções. Não somente os fatores psicológicos podem contribuir para o início ou para o agravamento de uma ampla variedade de distúrbios físicos, mas também as doenças físicas podem afetar o pensamento ou o humor de um indivíduo.
Os indivíduos com distúrbios potencialmente letais, recorrentes ou crônicos comumente apresentam depressão. Embora a depressão nessas circunstâncias possa parecer uma reação normal, o estado mental do indivíduo ainda merece atenção. A depressão pode piorar os efeitos da doença física e aumentar o sofrimento do indivíduo. Freqüentemente, o tratamento adequado (incluindo o uso de antidepressivos) melhora essas situações. Por outro lado, um indivíduo ansioso ou deprimido pode expressar uma preocupação sobre um problema físico. Esse fenômeno é mais comum em indivíduos deprimidos que parecem incapazes de aceitar seus sintomas como primariamente psicológicos. A depressão pode acarretar insônia, falta de apetite, perda de peso e fadiga. Em vez de dizer “Estou tão deprimido”, o indivído centraliza seus sintomas na crença de que eles são causados por um distúrbio físico. Isto é denominado depressão “mascarada”. Alguns são capazes de admitir a depressão, mas tentam justificá-la como sendo conseqüência de um distúrbio físico.
Sintomas de Conversão
A conversão é um mecanismo através do qual o estresse psicológico e social pode sugerir uma doença física. Na conversão, o indivíduo converte inconscientemente um conflito psicológico em um sintoma físico. Isto desvia a sua atenção de um problema perturbador para um problema físico menos temível. Praticamente qualquer sintoma imaginável pode tornar-se um sintoma de conversão. Às vezes, um sintoma de conversão é uma metáfora do problema psicológico existente. Por exemplo, uma dor no peito pode estar simbolicamente representando um coração ferido após a rejeição de uma pessoa amada ou uma dor nas costas pode representar problemas muitos difíceis de serem suportados.
Um sintoma de conversão também pode originar- se pela identificação com outro indivíduo que apresentou o sintoma. Por exemplo, um indivíduo pode sentir uma dor no peito, sugerindo um infarto do miocárdio, após um de seus genitores, de um irmão ou de um colega de trabalho ter sofrido um infarto. Ou um homem pode apresentar dor torácica à medida que se aproxima da idade em que o seu pai morreu de infarto do miocárdio. Finalmente, o sintoma de conversão pode não ser uma metáfora nem o resultado da identificação com outra pessoa, mas a reedição de um sintoma de um distúrbio físico prévio. Por exemplo, um indivíduo que sofreu anteriormente uma fratura óssea dolorosa pode voltar a sentir aquele tipo de dor óssea como um sintoma de conversão. Um indivíduo que apresentou episódios de dor precordial (angina) devido a uma doença coronariana pode algumas vezes apresentar uma dor similar como um sintoma de conversão (a dor é então denominada pseudoangina).
Metáforas que Sugerem Sintomas de Conversão
“Oh, minhas costas, como doem!” “Não consigo engolir isso.” “Só de pensar nisto eu fico doente.” “É como se tivessem me apunhalado nas costas.” “Isto me dá vontade de vomitar.”
Os sintomas de conversão diferem do distúrbio de conversão, no qual os sintomas físicos mais freqüentemente assemelham-se aos de uma doença neurológica. Os sintomas de conversão são mais leves e transitórios e afetam os indivíduos que não apresentam qualquer doença psiquiátrica grave subjacente. Qualquer pessoa pode apresentar sintomas de conversão. Às vezes, é difícil para o médico diagnosticar os sintomas de conversão, e o paciente com esses sintomas pode ser submetido a diversos exames diagnósticos, para se assegurar de que não existe qualquer distúrbio físico subjacente. A maioria dos sintomas de conversão desaparecem muito rapidamente após uma avaliação clínica e uma conversa tranqüilizadora com o médico. Quando os sintomas de conversão retornam, não desaparecem ou tornam-se incapacitantes, a causa pode ser um distúrbio somatoforme.
http://www.msd-brazil.com/msd43/m_manual/mm_sec7_81.htm
Estresse ocupacional nos profissionais de enfermagem: causas e conseqüências físicas e psíquicas
1] Graduanda do Curso de Psicologia da Universidade Metropolitana de Educação -BA. soraiacgil@hotmail.com
[2] Doutor em Educação pela Universidade do Quebec a Montreal.; Professor Adjunto de Cartografia da Universidade Estadual de Santa Cruz – Ilhéus – Bahia-Brasil.
Professor Orientador da disciplina Planejamento e Gerenciamento de Projetos do Curso de Psicologia – FACSUL, Itabuna-Ba. natanaelreis@uol.com.br
Resumo
Esse artigo insere-se no campo da Psicologia Social e clínica, para tal, foi realizada a análise das discussões de cinco artigos, a fim de verificar os conceitos acerca do estresse ocupacional, que tanto acomete os trabalhadores. Os resultados apontam que o estresse ocupacional é um estado emocional desagradável decorrente de aspectos de trabalho, os quais são avaliados pelo indivíduo como ameaçadores à sua auto-estima e bem-estar causando a esses profissionais desgaste emocional. As conseqüências nocivas são variadas. Uma delas é a Síndrome de Burnout, caracterizada pela exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade diante dos outros. Palavras-chave: Estresse ocupacional, Burnout, trabalho
Introdução O estresse, seja ele de natureza física, psicológica ou social, é composto de um conjunto de reações fisiológicas que se exageradas em intensidade ou duração podem levar a um desequilíbrio no organismo. A reação ao estresse é uma atitude biológica necessária para a adaptação às situações novas.Em termos científicos, alguns autores como Ballone (2002) salientam que o estresse é a resposta fisiológica e de comportamento de um indivíduo que se esforça para adaptar-se e ajustar-se a estímulos internos e externos. Como a energia necessária para esta adaptação é limitada, se houver persistência do estímulo estressor, mais cedo ou mais tarde o organismo entra em uma fase de esgotamento.As implicações sociais, psicológicas, econômicas e políticasdo Estresse são enormes e devem ser consideradas na compreensão global do problema, a qual deve considerar a tríade “Estresse, indivíduo e meio ambiente” e as suas mais diversas características. No Brasil, o Estresse é a terceira causa de afastamentos do trabalho e ocupa o segundo lugar entre os demais transtornos mentais (Lipp & Rocha 1994), logo este artigo tem como objetivo verificar as reações físicas e psíquicas do Estresse na vida do profissional de enfermagem.
Referencial teórico A profissão de enfermagem foi considerada freqüentemente na literatura como uma ocupação particularmente estressante, caracterizada pelas contínuas demandas físicas e emocionais que os profissionais recebem de seus pacientes.De acordo com Araújo et. all (2005), as relações do indivíduo com seu trabalho acabam por influenciar no estilo de vida dos profissionais que cuidam. Os enfermeiros se enfrentam habitualmente à morte e à dor, a múltiplos problemas relativos a sua tarefa, a desajustes organizacionais e não é estranho que se vejam envolvidos em situações difíceis, obrigados a tomar decisões de responsabilidade em situações críticas para as quais em alguns casos somente contam com informação ambígua e incompleta. Dessa forma, necessário se faz lembrar que o cuidado prestado aos clientes seja adequado, para tanto são necessários ambiente favorável, recursos e condições dignas de trabalho para os profissionais de enfermagem desenvolvam suas atividades laborais. O trabalhador de enfermagem geralmente possui mais de um vínculo empregatício, deve ser considerado o pouco tempo destinado ao lazer e, como a maioria dos trabalhadores pertence ao gênero feminino, a jornada de trabalho doméstico também deve ser considerada na análise da qualidade de vida desses profissionais.Na visão de Murofuse et all (2005), o estilo de vida frenético decorre muitas vezes, de necessidades financeiras e manutenção de um padrão social, fazendo com que o trabalhador estabeleça para si um ritmo rigoroso de atividades envolvendo os vínculos empregatícios e a vida domestica, desta forma, propiciando o estresse. Soma-se a isso, o fato de trabalhar em situações adversas impostas pela profissão que impõe grande demanda de atividades variadas r em turnos diferentes podendo afetar o desempenho físico, gerar distúrbios mentais, neurológicos, psiquiátricos e gastrintestinais como comentam LAUTERT et. all (2004).O trabalho do enfermeiro, por sua própria natureza e características, revela-se especialmente suscetível ao fenômeno do estresse ocupacional devido à responsabilidade pela vida das pessoas e a proximidade com os clientes em que o sofrimento é quase inevitável, exigindo dedicação no desempenho de suas funções aumentando a probabilidade de ocorrência de desgastes emocionais. O desgaste emocional, a que a equipe de enfermagem se depara nas relações com o trabalho é muito significativo, onde o estresse ocupacional caracterizado como Síndrome de Burnout tem presença marcante na atuação do enfermeiro, pois o ambiente a que está exposto é altamente estressante, devido às condições caóticas do dia a dia.A chamada Síndrome de Burnout é definida por Batista et. al (2005), como uma das conseqüências mais marcantes do estresse profissional, e se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos.Stacciarini e Troccoli (2001), afirmam que o Burnout é o resultado de esgotamento, decepção e perda de interesse pela atividade de trabalho que surge nas profissões que trabalham em contato direto com pessoas em prestação de serviço como conseqüência desse contato diário no seu trabalho. Com isso, a Síndrome de Burnout correlacionam a fadiga emocional, física e mental, sentimentos de impotência e inutilidade, falta de entusiasmo pelo trabalho, pela vida em geral e baixa auto-estima a estados que combinam esta síndrome. Murofuse et all (2005), afirmavam que Burnout estava estritamente ligado a profissionais de saúde, que perdiam então, o interesse, empatia e o próprio respeito por seus pacientes. Como se pode perceber, em uma perspectiva psicossocial, Burnout tem-se definido como uma síndrome cujos sintomas são sentimentos de esgotamento emocional, despersonalização e baixa realização pessoal no trabalho. Estes sintomas podem desenvolver-se naqueles sujeitos cujo objeto de trabalho são pessoas em qualquer tipo de atividade. No entanto, deve ser entendida como uma resposta ao estresse laboral que aparece quando falham as estratégias funcionais de enfrentamento que o sujeito pode empregar e se comporta como variável mediadora entre o estresse percebido e suas conseqüências.Esse enfrentamento é definido por Batista et. al (2005), como sendo o “conjunto de esforços que uma pessoa desenvolve para manejar ou lidar com as solicitações externas ou internas, que são avaliadas por ela como excessivas ou acima de suas possibilidades”. Colaborando com o assunto, Lautert et. all (2004), ressalta que os trabalhadores da área de saúde ocupam uma das profissões campeãs do Estress Ocupacional, sendo classificada como a terceira, ficando atrás somente dos controladores de vôo, motoristas de ônibus urbano, que ocupam o segundo lugar e dos policiais e seguranças privados que estão em primeiro lugar. As profissões da área de saúde em geral sofrem pressões de todos os lados, tanto dos clientes/pacientes ou subordinados.Portanto, nota-se a importância de um cuidado maior com enfermeiros de centro cirúrgico, pois o crescimento do estresse ocupacional nesta área está cada vez maior. Métodos e técnicas Para atender o objetivo desse artigo, buscamos selecionar os periódicos que abordam essa temática através do site do Centro de Aperfeiçoamento do Ensino superior (CAPES). Em seguida selecionamos os artigos e os tabulamos por categorias, a fim de analisarmos o conteúdo do discursos dos autores. Finalmente confrontamos esse discurso com outros elementos teóricos.Resultados e discussão Analisando a produção científica do período de 1999-2003, no campo da psicologia da saúde, buscamos o interesse pela compreensão do estresse ocupacional na vida do trabalhador, profissional de enfermagem. Assim, no discurso dos autores, fica evidente para a maioria dos artigo citados, afirmar que o estresse ocupacional é definido como a soma de respostas físicas e mentais, ou ainda, reações fisiológicas, que, quando intensificadas, transformam-se em reações emocionais negativas. Logo, eles teorizam de forma metodológica e abordagem teórica específica conforme a pesquisa realizada por cada um.Troccoli et al, (2001) Estresse na atividade ocupacional do enfermeiro, fazem uso da abordagem fenomenológica, utiliza em sua metodologia uma investigação exploratória através de entrevistas individuais para chegar ao resultado de que os enfermeiros vivenciam diversos estressores relacionados aos fatores intrínsecos do trabalho, as relações no trabalho, aos papéis e a estrutura organizacional. Murofuse et al, (2005), “Reflexões sobre Estresse e Burnout e a Relação com a Enfermagem”, numa abordagem psicossocial, através de estudo bibliográfico, vem afirmar que Estresse interfere na vida do indivíduo causando um esgotamento pessoal no trabalhador de enfermagem, posição convergente com o trabalho de Staccarine e Troccoli (2001), acrescentando ainda que a síndrome de Burnout, envolve atitudes e condutas negativas no trabalho de enfermagem. Lauter et al, (1999), “O Estresse na atividade gerencial do enfermeiro”, numa abordagem fenomenológica, também convergente com as teorias dos autores anteriores, onde os resultados da sua pesquisa qualitativa sugerem que o estresse gerado pela atividade gerencial do enfermeiro desencadeia alterações na saúde. Pode-se perceber que os três autores acima citados, concordam entre-se quando dizem que o estresse ocupacional decorre por alguns aspectos do trabalho. Batista, et al. (2005), Estresse Ocupacional e Enfermagem abordagem em Unidade de atenção à Saúde Mental, analisaram 100% dos profissionais de enfermagem que trabalham na USM, com dados coletados através de entrevista semi estruturada, cujo resultado demonstra que o nível de estresse dos profissionais de saúde da USM é de normal a baixo, resultado divergente dos anteriores, tendo em vista tratar-se da mesma profissão, porém em ambiente diferenciado. Araújo, etal. (2003), “Aspectos Psicossociais do Trabalho e Distúrbios Psíquico”, num estudo de corte transversal, incluindo 502 trabalhadores de enfermagem de um hospital público da Bahia, nesse estudo foi observado que a prevalência de DPM foi mais elevado no quadrante de trabalho com alta exigência.Percebemos que os autores concordam entre-se quando dizem que o estresse ocupacional decorre do desgaste físico e psíquico provocados por alguns aspectos do trabalho considerados como ameaçadores. Vale ressaltar que esse tipo de estresse independe do nível intelectual do trabalhador e do cargo que ele ocupa na empresa. Qualquer condição que pressione o indivíduo em sua atividade de trabalho pode provocar a reação de estresse. Mesmo em ocasiões que possam ser angustiantes para um indivíduo e não para o outro, se tal pessoa interpreta aquela situação como um perigo ou ameaça potencial, surgirá a reação de estresse. Considerações finais Nas últimas décadas, a expressiva mudança em todos os níveis da sociedade passou a exigir do ser humano uma grande capacidade de adaptação física, mental e social. Muitas vezes, a grande exigência imposta às pessoas pelas mudanças da vida moderna e conseqüentemente, a necessidade imperiosa de ajustar-se à tais mudanças, acabaram por expor os trabalhadores em especial à uma freqüente situação de conflito, ansiedade, angústia e desestabilização emocional. Assim, pode-se dizer que o estresse é uma reação emocional que tem componentes físicos e psicológicos que podem surgir diante de qualquer mudança da vida que amedronte ou confunda. Fatores sociais, econômico e emocionais são alguns dos motivos que podem levar o sujeito ao estresse. Lidar com o estresse no trabalho compreende um esforço conjunto da empresa e de profissionais habilitados em combaterem esse distúrbio. Esta união poderá ajudar o indivíduo afetado e que não consegue, por recursos próprios, enfrentar a situação. Assim, necessário de faz uma intervenção psicológica centrada no indivíduo, na qual consiste em treinar os sujeitos para melhorarem seus recursos em controlar e manejar o stress.Diante desse estudo, pode-se perceber que a Psicologia permite repensar e sentir, desde uma nova perspectiva, o ser no mundo, chegando a trabalhar os erros, ter uma compreensão mais real da vida e da própria conduta, aprende com o auxílio dela a rever o mundo interno e em conseqüência também o externo, que pode então vir a ser ou mais ameno e menos ameaçador ou, talvez, a reconhecer idealizações desnecessárias, falsas ligações emocionais e até a submissão ou desprezo por fatos, idéias ou pessoais, que para cada um de foi, na realidade, fonte de conflitos que agora entende-se bem melhor. Referências bibliográficas ARAÚJO Tânia M, AQUINO Estela, MENEZES Greice, SANTOS, Cristiane Oliveira. (2005) Aspectos psicossociais do trabalho e distúrbios psíquicos entre trabalhadoras de enfermagem. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rsp/v37n4/16776.pdf . Acesso em 20/09/08 BATISTA Alves, SOARES Lucilane, GUEDES Mota Helisamara, 2005. Estresse Ocupacional e Enfermagem:Abordagem em Unidade de atenção à Saúde Mental. Disponível em:http://www.unilestemg.br/revistaonline/volumes/02/downloads/artigo_17.pdf. Acesso em 10/09/08 LAUTERT Liana, CHAVES Enaura H. B. e MOURA Gisela M. S. S. de. (2004) O estresse na atividade gerencial do enfermeiro. Disponível em http://www.scielosp.org/pdf/rpsp/v6n6/0968.pdf . Acesso em 15/09/08MUROFUSE, Neide Tiemi, ABRANCHES, Sueli Soldati and NAPOLEAO, Anamaria Alves. Reflexões sobre estresse e Burnout e a relação com a enfermagem. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Mar./Apr. 2005, vol.13, no.2, p.255-261. ISSN 0104-1169. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rlae/v13n2/v13n2a19.pdf. Acesso em 10/09/08 STACCIARINI JM,TROCCOLI BT. Estresse na atividade ocupacional do enfermeiro. Ver.latino-am Enfermagem, 2001. Disponível em : http://www.inicepg.univap.br/INIC_07/trabalhos/sociais/inic/INICG00865_01O.pdf. Acesso em 10/09/08
Psicossomática – Evolução e conceito atual
A palavra psicossomática é formada pelas palavras gregas: psique (alma) + soma (corpo), tendo sido usada por Anaxágoras, filósofo grego pré-socrático que defendia a concepção dualista do ser humano (500-428 AC). Na Grécia antiga escolas médicas, disputavam entre si, a primazia de atender melhor o paciente. Como deveriam atuar? Tratar o doente ou a doença? Essa preocupação demonstrava claramente que já estabeleciam uma ligação íntima entre corpo e mente. A expressão psicossomática foi cunhada pelo médico psiquiatra alemão em 1818 e somatopsíquica em 1828 e ele defendia a teoria unicista de que: “corpo e psique não seriam senão, respectivamente, a parte exterior e interior de uma e a mesma coisa”.Depois dele, ao longo dos anos, surgem novas pesquisas e em ordem cronológica, citamos alguns nomes: • Groddeck (1917) -Estabelece bases psicanalíticas para a investigação de doenças orgânicas.• Franz Alexander (1925) - funda Escola de Psicossomática de Chicago• Helen Flanders Dunbar (Columbia University, 1930) - “Emotions and Bodily Changes”.• (1939) Lançada a Revista: Psychosomatic Medicine Experimental and Clinical Studies.• Cannon (1929) - desenvolve o conceito de Homeostase (equilíbrio orgânico)• Selye (1936) – respostas ao " stress“ • Cannon (1953) publica: " Bodily changes in pain, hunger, fear and rage"• McDougall - "matriz somatopsíquica" . Para Joyce McDougall, "a somatização como resposta à dor mental é uma das respostas psíquicas mais comuns de que o ser humano é capaz.” No entanto, durante os estudos sobre a somatização das emoções, ficou claro que existem alguns diferencias nesse processo. No mal congênito, outros fatores não terão influência e se tiverem, é só na maneira do indivíduo de aceitar ou lidar com a doença, nada tendo a ver com sua gênese. Nascer com uma doença é diferente de nascer com uma predisposição hereditária para uma dada doença e nesse caso a doença só ocorrerá se outros fatores estiverem presentes, no todo ou em parte.Existe maior possibilidade de adoecer quando existem más condições ambientais, níveis precários de higiene, alimentação e moradia e, situações de miséria comprometem o psiquismo do indivíduo e suas condições de amar a si mesmo e à vida.Há, pois, em todas as doenças, uma conjunção de causas externas e internas.Cada ser psicossomático vive uma história de interações, encontros e acontecimentos em que as doenças (orgânicas ou mentais) são resultado dos desequilíbrios existenciais e de soluções inadequadas de vida. “Não existem doenças, existem doentes”. A psicossomática e a psicanálise estão unidas desde Sigmund Freud que fundou muitos dos modelos psicossomáticos. (Estudios sobre la Histeria (1893-1895), p. 43) Muitos psicanalistas depois dele se ocuparam da unidade psique-soma como alguns aqui citados:•Jung (1875-1961) - União mente-corpo - principal acontecimento sincronístico.• Adler (1870 – 1937) - primeiro a perceber que o “pânico” era uma intensificação da depressão ou medo.•Friederich Perls (1893-1970) - Gestalt Terapia - visão do homem como um todo.•Alexander Lowen (1910- ) - Análise Bioenergética -psicoterapia somática - não existe separação fundamental entre mente e corpo. • Winnicott (1982) - "A enfermidade psicossomática é o negativo de um positivo", sendo este positivo "a unidade da psique e do soma". • THOMÄ (1992) - o homem é uma "totalidade psicossomática” Enfermidade física provocada por processos inconscientes e sua significação.“O sintoma psicossomático pode ser visto como um processo em que uma questão subjetiva segue um caminho adverso: ao invés de conseguir aceder à mente, como processo mental, ou seja, representação, esta situação se traduz corporalmente, ou seja, se apresenta como expressão do corpo. Proponho que se tome o sintoma psicossomático como um capítulo da história do sujeito que não pôde ser escrito psiquicamente, e que tomou a forma de um hieróglifo inscrito no corpo. O processo somático ocupa o lugar do processo psíquico: no sintoma psicossomático uma questão subjetiva se apresenta, ao invés de se representar.” ÁVILA, L.A - Doenças do Corpo e Doenças da Alma, 3ª. Ed. São Paulo: Ed. Escuta, 2002.Para ter certeza de que uma doença tem origem psicológica, deve-se, primeiro, descartar todas as causas orgânicas. Por isso, recomenda-se uma série de exames antes de fechar o diagnóstico. É importante esclarecer que, apesar de a enfermidade ser emocional, o paciente precisará de tratamento médico. ‘‘Os sintomas que ela apresenta não são imaginários e, portanto, exigem cuidados especiais’’Na atualidade, a Psicossomática, refere-se ao estudo da pessoa como ser histórico: bio-psico-social.Sobre o movimento psicossomático, explica Maria Rosa Spinelli – ex -Presidente da ABMP – Associação Brasileira de Medicina Psicossomática – SP: ... “ Hoje o pensamento principal deste movimento defende a integração entre profissionais, onde cada um tem a sua academia restrita a uma única forma de estudar o individuo, mas se reunindo com outros profissionais para discutir o caso de um paciente, compartilhando outras formas de atuação, para auxiliar o tratamento, na mais ética de todas as formas de estudar. Todos aprendem, todos os profissionais ouvem, se respeitam, pouco importando sua linha teórica de atuação. Não existe líder nestas reuniões e sim coordenadores de momento, quando estão explicando o fato ou o fenômeno em questão. A Psicossomática não se trata de uma especialidade, (seria irônico se o fosse), pois procura-se a contribuição de cada profissional, para somar conhecimentos e saberes, formando assim um grande rio de compreensão, com afluentes que nele deságuam. As universidades nos preparam para sermos onipotentes, mas buscamos nortear nosso trabalho na busca de uma linguagem única para entender a do paciente, que não se expressa de maneira intelectualizada, mas através de sua dor e de seu sofrimento seja ele físico ou psíquico. Em São Paulo, o movimento Psicossomático é representado pela Associação Brasileira de Medicina Psicossomática- regional São Paulo, a qual mantém cursos de formação onde se aprende esta forma de atuação na teoria e na prática, demonstrando assim a importância da paciência e da perseverança, mostrando outra linguagem da saúde, onde se mostra o que realmente podemos fazer pelo paciente e aquilo que temos que fazer por nós mesmos como profissionais. Especializações levam à compreensão unilateral de cada fato ou fenômeno; formação ensina a prática, a vida e o contato humano.” No setting analítico, tanto individual como em grupo, é possível haver uma re-significação dos sintomas.
http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/print.php?itemid=1085
Comparação entre três técnicas de intervenção psicológica para tratamento da fibromialgia: treino de controle de stress relaxamento progressivo e rees
366212
Autor:
Brasio, Karina Magalhães; Laloni, Diana Tosello; Fernandes, Queila Pierre; Bezerra, Thais de Lima.
Título:
Comparação entre três técnicas de intervenção psicológica para tratamento da fibromialgia: treino de controle de stress, relaxamento progressivo e reestruturação cognitiva / Comparison between three techniques of pyschological intervention for the treatment of fibromyalgia: stress control training, progressive relaxation and cognitive restructuring
Fonte:
Rev. ciênc. méd., (Campinas);12(4):307-318, out.-dez. 2003. tab.
Idioma:
Pt.
Resumo:
A Fibromialgia é uma síndrome, de caráter crônico e etiologia desconhecida, caracterizada por dor musculoesquelética que afeta várias áreas do corpo. Em função da inexistência de alterações orgânicas, a presença de fatores psicológicos como estresse, ansiedade, depressão, inassertividade e crenças irracionais parecem influenciar seu início e manutenção.O objetivo deste trabalho foi comparar a eficácia de três técnicas de intervenção psicológica: Treino de Controle de Stress, Relaxamento Progressivo e Reestruturação Cognitiva. Participaram 21 pacientes com fibromialgia, do sexo feminino, provenientes do Ambulatório de Reumatologia de um Hospital Universitário do interior de São Paulo, divididos, aleatoriamente em três grupos. O Grupo I participou do Treino de Controle de Stress; o Grupo II foi submetido ao Relaxamento Progressivo e, no Grupo III foi realizado a Reestruturação Cognitiva. Os pacientes receberam tratamento médico simultâneo e foram contatados por meio de uma entrevista e submetidos à aplicação do Inventário de Sintomas de Stress, Escala de Ansiedade e Depressão, dos Levantamentos dos níveis de Inassertividade, Crenças Irracionais e Escala Analógica Visual. Os resultados revelaram que as três técnicas possibilitaram a redução do nível de estresse; a diminuição da ansiedade e depressão e o desenvolvimento da assertividade. Revelaram, ainda que, nenhuma das técnicas demonstraram-se significativas na redução da percepção das dores. Como conclusão, confirma-se as controvérsias quanto à etiologia desta doença e levanta-se a necessidade da realização de novos trabalhos verificando o tipo de intervenção mais eficaz. (AU)
Descritores:
Fibromialgia/psicologiaFibromialgia/terapiaEstudos de IntervençãoTerapia CognitivaTécnicas de RelaxamentoTranstornos Psicofisiológicos/psicologiaTranstornos Psicofisiológicos/terapia
-Doença Crônica
Limites:
HumanosFeminino
Responsável:
BR409.1 - Biblioteca
Transtornos psicofisiológicos - tradução
Psychophysiologic Disorders
Descritor Espanhol:
Trastornos Psicofisiológicos
Descritor Português:
Transtornos Psicofisiológicos
Sinônimos Português: Transtornos Psicossomáticos
Grupo de transtornos caracterizado por sintomas físicos que estão afetados por fatores emocionais e envolvem um único sistema orgânico, geralmente sob controle do SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO. (Tradução livre do original: American Psychiatric Glossary, 1988).
Nota de Indexação Português:
diferencie de MEDICINA PSICOSSOMÁTICA que é o campo; coord como primário com doença específica /psicol (como primário); Manual da NLM 27.12
http://decs.bvs.br/cgi-bin/wxis1660.exe/decsserver/?IsisScript=../cgi-bin/decsserver/decsserver.xis&task=exact_term&previous_page=homepage&interface_language=p&search_language=p&search_exp=Transtornos%20Psicofisiológicos&show_tree_number=T
The role of depression in pain, psychophysiological syndromes and medically unexplained symptoms associated with chronic fatigue syndrome .
Background: The association between depression and pain, function, medically unexplained symptoms and psychophysiological syndromes such as irritable bowel syndrome has not been explored before in chronic fatigue syndrome. Methods: Cross-sectional controlled study of the current prevalence of psychophysiological syndromes, pain, function and lifetime prevalence of medically unexplained symptoms in 77 out-patients with chronic fatigue syndrome (CFS) without DSM-III-R depression, 42 CFS out-patients with DSM-III-R depression and 26 out-patient with primary DSM-III-R depression. Results: Both CFS groups differed significantly from the primary depression group but not each other in the prevalence of tension headaches (P<0.001), reporting of widespread bodily pain (P<0.001) and the number of lifetime medically unexplained symptoms (P<0.001). The three groups did not significantly differ in the prevalence of irritable bowel syndrome or fibromyalgia. CFS patients with depression were more impaired in social function than other CFS patients. Conclusion: Depression is not associated with the reporting of pain, psychophysiological syndromes and medically unexplained symptoms in CFS patients. Depression is associated with decreased social function in CFS patients. Limitations: Study depended on recall of symptoms, not confirmed by medical records and current investigations. Patients with depression were taking antidepressants. Clinical relevance: Treating depression in chronic fatigue syndrome is unlikely to diminish reporting of pain and medically unexplained symptoms but may improve social function.
http://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0165032798002183
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Uma Introdução ao estudo das manifestações psicossomáticas
http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=368
Autores:
Ângela Cristina Januário Alves.
José Luis Machado.Leonilse Lourdes Fachini MussioMirnaloi Silveira Cunha.
Teresa Cristina E. de Souza.
(Acadêmicos da Faculdade de Psicologia da Universidade do Sul de Santa Catarina
PSICOLOGIA E PSICOSSOMÁTICA
Uma Introdução ao Estudo das Manifestações Psicossomáticas
A noção psicossomática do adoecer aparece desde a antiguidade, de um modo geral nas grandes culturas da Idade Antiga, porém é na Grécia dos grandes filósofos que o homem é visto de maneira mais próxima desta visão globalizada, onde a dimensão funcional é o corpo, e a psique tem a função de manter controlada e regulada estes aspectos funcionais. A visão médico/filosófica grega se divide em duas vertentes, o todo holístico representado pelo monismo de Hipócrates e a dissociação mente-corpo representado pelo dualismo de Galeno. (Volich, 2000).De acordo com Volich (2000), este saber se “perde” pelos meandros da Idade Média, onde existe o desprezo pelo corpo e a ascensão da visão espiritual. Aos poucos a ciência médica, ainda embrionária, promove a volta desta visão holística, valorizando as interações mente-corpo para uma melhor compreensão dos aspectos do adoecer. Esta volta se dá através das primeiras escolas de medicina que são fundadas na Europa, a partir do movimento cultural promovido pelo Renascimento.
No ano de 1818 o psiquiatra alemão J. C. Heinroth cria o termo “psicossomático” que vem ressaltar a importância dos aspectos físicos e subjetivos no processo da doença (Volich, 2000, Filho; 1992). Com a inserção da metodologia positivista de produção de conhecimento e com internalização do pensamento cartesiano na cultura acadêmica, as ciências humanas se desligam desta relação integrada e sucumbem a uma tendência a valorizar o corpo físico como fonte de pesquisas. Ao mesmo tempo outros estudos desenvolvidos paralelamente, tais como o das perturbações mentais como doença no inicio do século XIX por Pinel, trazem o tema da relação mente-corpo novamente à tona. A sugestão e a hipnose são usadas como meio de investigação dos fenômenos psíquicos, das doenças nervosas e do fenômeno principal da histeria. Segundo Marx e Hillix (1997) a psicanálise freudiana surge no cenário contribuindo com seus estudos sobre o equilíbrio interno do aparelho mental através dos escritos sobre a histeria. Os primeiros trabalhos de Sigmund Freud (1856-1939) deram inicio ao rompimento do dualismo corpo-mente de Galeno e Descartes, resgatando a noção hipocrática, que valoriza a pessoa do doente e não apenas a doença. Também postulou que, a historicidade do indivíduo tem íntima ligação com seu estado de saúde/doença e que as manifestações histéricas não refletiam apenas uma acepção física, mas eram frutos de uma organização imaginária da própria mente de seus pacientes. Na construção do saber psicanalítico, as experiências humanas são cercadas e transpassadas por inúmeros momentos conflituosos, provindos de diferentes fontes que através de seus efeitos auxiliam na construção da personalidade humana. Além de Freud outros teóricos que compõe a história da psicologia colaboraram para uma visão mais integrada entre mente-corpo. Dentre eles é possível salientar Kurt Goldstein, ele postulou que o comportamento humano só pode ser compreendido como uma unidade orgânica que busca o equilíbrio e a auto-regulação na relação com o meio onde está inserido. Concordando com Goldstein, Carl Rogers (1902-1987) enfatiza a necessidade do ser humano para a auto-realização e que esta depende da capacidade eficaz para a simbolização mental de suas experiências concretas. (Marx e Hillix, 1997).Segundo Volich (2000) oficialmente o que chamamos de ciência psicossomática tem como seu marco inicial com a obra do médico Georg Groddeck, que via na psicanálise métodos de compreender e tratar os distúrbios psicossomáticos. No século XX, Pierre Marty (apud Debray, 1995) conceitua que o ser humano deve ser visto e entendido por sua totalidade, visto como um todo onde o equilíbrio geral vai servir de ponto de partida para a compreensão dos movimentos que cada sujeito faz, o que por sua vez o levam a situações psicossomáticas nitidamente identificáveis, que os empurram para posições de homeostase ou de desequilíbrio. Para ele o ponto de partida se dá na infância, os movimentos progredientes que surgem vão integrar com certa evidência todas as fases da evolução libidinal.Neste momento podem ser destacados os membros da Escola de Psicossomática de Chicago, onde foram aprofundados os esquemas teóricos de certas doenças somáticas em relação à formação de certas estruturas de personalidades e de conflitos emocionais específicos. Felix Deutsch (apud Volich, 2000) critica o uso indiscriminado da teoria psicanalítica de conversão por parte dos médicos. Também nesse sentido Franz Alexander (apud Volich, 2000) discute o processo do adoecer, usando como ponto principal o entendimento que o efeito dos processos não devem ser vistos como locais e isolados, mais sim integrados em termos de três dimensões: biológica, social e psicológica.Discorrendo sobre a inter conexão destas três dimensões, França e Rodrigues (2002) comentam que a dimensão biológica compreende as características físicas genéticas ou adquiridas durante a vida. Inclui tudo que está relacionado, ao corpo, num sentido orgânico, seus sistemas, seu metabolismo, suas resistências e vulnerabilidades, órgãos e funções fisiológicas. Segundo Eliot (1992), na dimensão social temos a relação que estas pessoas estabelecem com o meio em que vivem e a sua cultura. Crenças e valores morais, aspectos de relacionamento familiar, trabalho e círculos de amizade, dinâmicas em seus grupos, e basicamente tudo que as cercam e de alguma forma as ligam a outras pessoas.A dimensão psicológica trás todos os aspectos cognitivos e comportamentais. Processos de raciocínio, emoções, aspectos afetivos, conscientes ou inconscientes. Que em sua soma formam toda subjetividade e personalidade de cada pessoa.Sobre a dimensão psicológica, Ballone (2001) comenta que as motivações causadas pelas emoções são vistas pela psicologia como sendo fontes impulsionais que controlam as condutas humanas. Nesse sentido são consideradas de um ponto de vista geral como provindas de substratos biológicos, causando influências sobre a saúde e sobre a doença através de suas propriedades psicofisiologicas. Emoções estas que podem ter vários sentidos para o corpo, e são classificadas a priore como sendo agradáveis ou desagradáveis, entre elas podemos citar a alegria, medo, ansiedade, raiva, etc...De acordo com Ballone (2001) as emoções experimentadas, mas não devidamente simbolizadas poderão levar a uma situação de lesão fisiológica ou transtornos de ordem psicossomática e ainda de ordem psicofisiológicas, como por exemplo: Transtornos cardiovasculares, cefaléias, asmas, síndrome pré-menstrual, doenças dermatológicas, transtornos sexuais, transtornos digestivos e de alimentação, debilidade dos sistemas imunológicos e tantos outros distúrbios.Hoje, segundo Ballone (2001), o processo do adoecer vai ser determinado por características genéticas e construídas na interação com o meio, são essas características que estão diretamente ligadas á formação subjetiva, que irá proporcionar os diferentes graus de enfrentamento de cada situação estressante que se apresenta a cada individuo. O conceito do adoecer psicossomático não é novo e nem original, há muito tempo se percebeu que o homem não pode ser determinado apenas por seu corpo, ou pelo ambiente em que vive ou ainda apenas por sua subjetividade. Os seres humanos são seres integrados e vivem situações reais e imaginárias que se ligam e mutuamente influenciam suas atitudes em seu meio, nos seus sistemas sociais. Para a Psicologia como ciência, conhecer as manifestações psicossomáticas, portanto, as relações corpo/mente e meio externo é de suma importância, pois a partir de então novas ações em termos de atenção primária e secundária á saúde podem ser desenvolvidas ou aprimoradas.
REFERÊNCIAS
ANGERMANI – CAMON, Valdemar Augusto (org). Psicologia da Saúde. Editora Pioneira, São Paulo, 2002.
BALLONE, G. J. – Da Emoção a Lesão - in. PsiqWeb Psiquiatria Geral, Internet. 2001 – disponível em:<http://gballone.sites.uol.com.br/psicossomatica/raiva.html>
DEBRAY, Rosine. O Equilíbrio Psicossomático e um Estudo Sobre Diabéticos. Editora Casa do Psicólogo, 1 edição: São Paulo, 1995.
ELIOT, Robert S. et al. Estresse e o Coração, Mecanismos, avaliação e Cuidados. Editora Revinter Ltda, Rio de Janeiro, 1992.
FRANÇA, A C. L., RODRIGUES, A. L. Stress e Trabalho – Uma Abordagem Psicossomática. Editora Atlas, São Paulo, 2002.
FILHO, Júlio de Mello. Psicossomática Hoje. Editora Artes Médicas, São Paulo, 1992.
MARCELLI, D. Manual de Psicopatologia da Infância de Ajuriaguerra. Tradução Patrícia Chittoni Ramos. Editora ArtMed, 5o ed: Porto Alegre, 1998.
MARX, H.M. HILLIX, A. W. Sistemas e Teorias em Psicologia. Editora Cultrix, São Paulo, 1997.SOUZA, J. G. Medicina Psicossomática. Editora ISBN, Rio de Janeiro. 2000.
VOLICH, Rubens Marcelo. Psicossomática: de Hipocrates à Psicanálise. Editora Casa do Psicólogo, São Paulo, 2000.