quinta-feira, 25 de julho de 2024

Causas das Lesões musculoesqueléticas (LME)

 As lesões musculosqueléticas (LME) são uma das doenças mais comuns relacionadas com o trabalho. Afetam milhões de trabalhadores europeus, com um custo de milhares de milhões de euros para as entidades patronais. Combater as LME contribui para melhorar a vida dos trabalhadores, e justifica-se plenamente do ponto de vista económico.

As LME relacionadas com o trabalho afetam sobretudo as costas, o pescoço, os ombros e os membros superiores, mas podem também afetar os membros inferiores. Abrangem todos os danos ou perturbações das articulações ou de outros tecidos. Os problemas de saúde variam entre dores ligeiras a situações clínicas mais graves, que exigem dispensa do trabalho ou tratamento médico. Em casos mais crónicos, podem mesmo levar à incapacidade e à necessidade de deixar de trabalhar.

A maioria das LME relacionadas com o trabalho desenvolvem-se ao longo do tempo. Normalmente, não existe uma causa única para estas lesões; elas resultam frequentemente da combinação de vários fatores de risco, incluindo fatores físicos e biomecânicos, fatores organizacionais e psicossociais, bem como fatores individuais.


Os fatores de risco físicos e biomecânicos podem incluir:

  • Movimentação de cargas, especialmente quando isso induz a movimentos de torção e de flexão
  • Movimentos repetitivos ou com esforço
  • Posturas incorretas e estáticas
  • Ambientes com má iluminação ou temperaturas baixas e exposição a vibrações
  • Trabalho em ritmo acelerado
  • Estar de pé ou sentado, na mesma posição, muito tempo

Os fatores de risco organizacionais e psicossociais podem incluir:

  • Elevadas exigências de trabalho e pouca autonomia
  • Ausência de pausas ou de oportunidades para mudar de postura de trabalho
  • Trabalhar a um ritmo acelerado, incluindo como consequência da introdução de novas tecnologias
  • Longas horas de trabalho ou turnos
  • Intimidação, assédio e discriminação no local de trabalho
  • Pouca satisfação no trabalho

Em geral, todos os fatores psicossociais e organizacionais (especialmente quando combinados com riscos físicos) que podem levar a stress, fadiga, ansiedade ou outras reações que, por sua vez, aumentam o risco de LME.

Os fatores de risco individuais podem incluir:

  • Historial médico
  • Capacidade física
  • Estilo de vida e hábitos (por exemplo tabagismo, falta de exercício físico)
Avaliação dos riscos

Não existe uma solução única, sendo que, ocasionalmente, será necessário procurar o aconselhamento de especialistas para problemas menos comuns ou graves. Contudo, muitas soluções são simples e de baixo custo, como por exemplo, a possibilidade de disponibilizar um carrinho para auxiliar no manuseamento de mercadorias ou alterar a posição de artigos na secretária.

Para combater as LME, as entidades patronais devem recorrer a uma conjugação de:

Avaliação de riscos: adotar uma abordagem holística, avaliar e abordar todas as causas possíveis (ver acima) É igualmente importante ter em conta os trabalhadores que possam estar expostos a um maior risco de sofrer de LME. A prioridade é eliminar os riscos, mas também adaptar o trabalho aos trabalhadores.
Participação dos trabalhadores: incluir trabalhadores e respetivos representantes na discussão sobre possíveis problemas e soluções.