quarta-feira, 21 de maio de 2025

Estratégias psicológicas para promover comportamentos pró-ambientais


Estudo de Schultz, P. W. (2014). 

Objetivo

Explorar quais ferramentas de mudança de comportamento são eficazes para promover ações pró-ambientais e, principalmente, quando e para quem essas ferramentas funcionam melhor.


Principais Ferramentas de Mudança de Comportamento

Com base em uma meta-análise de 253 estudos, Schultz destaca as seguintes estratégias:

  1. Dissonância cognitiva (g = .93)
  2. Estabelecimento de metas (g = .69)
  3. Modelagem social (g = .63)
  4. Lembretes (prompts) (g = .62)
  5. Facilidade de execução (make it easy) (g = .49)
  6. Recompensas/incentivos (g = .46)
  7. Justificativas (g = .43)
  8. Compromissos (g = .40)
  9. Feedback (g = .31)
  10. Instruções (g = .31)

Modelo CBSM (Community-Based Social Marketing)

Schultz propõe o uso do CBSM como estrutura para selecionar a ferramenta mais apropriada. O modelo segue cinco etapas:

  1. Identificar o comportamento-alvo
  2. Analisar barreiras e benefícios
  3. Desenvolver o programa
  4. Testar em pequena escala
  5. Implementar e avaliar

Como Escolher a Ferramenta Certa

A escolha depende de dois fatores principais:

  • Barreiras (dificuldade de realizar o comportamento)
  • Benefícios percebidos (motivação)

Cenários e Estratégias Recomendadas


Considerações Práticas

  • Recursos financeiros: Programas eficazes precisam ser viáveis economicamente.
  • Controle sobre o contexto: Às vezes, mudar o ambiente é mais eficaz do que mudar atitudes.
  • Duração do programa: Estratégias como competições funcionam bem a curto prazo, mas não sustentam mudanças duradouras.

Conclusão

Não existe uma única ferramenta eficaz para todos os contextos. A chave está em combinar a ferramenta certa com o público certo e o comportamento certo, considerando as barreiras e os benefícios percebidos. O CBSM oferece um caminho estruturado para isso.


Schultz, P. W. (2014). Strategies for promoting proenvironmental behavior: Lots of tools but few instructions. European Psychologist, 19(2), 107–117. https://doi.org/10.1027/1016-9040/a000163

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Prevenção e intervenção no consumo de álcool em contextos laborais (documento Ordem dos Psicólogos Portugueses)

 


Consumo de Álcool no Trabalho: Um Problema de Saúde Pública e Produtividade
Um relatório da Ordem dos Psicólogos Portugueses, publicado em abril de 2025, alerta para os impactos do consumo problemático de álcool nos contextos laborais em Portugal. O documento destaca que o consumo de álcool afeta negativamente a saúde física e psicológica dos trabalhadores, além de prejudicar a produtividade e aumentar os custos económicos das organizações. ​ Em Portugal, 20,7% da população consome álcool diariamente, e estima-se que até 25% dos acidentes de trabalho estejam relacionados com o consumo de álcool, evidenciando a gravidade do problema.

O estudo aponta que condições laborais, como horários excessivos, precariedade e normas sociais permissivas, podem agravar o consumo de álcool, especialmente em períodos de crise socioeconómica.O teletrabalho, amplificado pela pandemia de COVID-19, também é identificado como um fator de risco acrescido, devido ao isolamento e à insatisfação com o regime de trabalho.Para enfrentar este desafio, o documento sugere que as organizações promovam uma cultura de tolerância zero ao consumo de álcool durante o horário laboral e implementem programas de promoção de estilos de vida saudáveis.

Os psicólogos desempenham um papel crucial na prevenção e intervenção, através da avaliação de riscos psicossociais, sensibilização de líderes e implementação de políticas organizacionais. ​ O relatório recomenda medidas como a redução da acessibilidade ao álcool no local de trabalho, campanhas de sensibilização e estratégias de rastreio e tratamento para trabalhadores com consumos problemáticos. Com estas ações, é possível melhorar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, aumentar a produtividade e reduzir os custos económicos associados ao consumo de álcool.