Os gregos já entendiam que existia uma ligação entre a psique e o soma. Uma relação entre corpo e mente capaz de garantir a saúde ou a doença dos indivíduos. Se a tranqüilidade, aliada ao equilíbrio emocional, é capaz de garantir muitos anos de uma vida sem comprometimentos ou doenças físicas, o estresse, em doses homeopáticas no nosso dia-a-dia, é capaz de destruir ou comprometer tanto nosso equilíbrio emocional como semear nossos campos para o surgimento de muitas doenças.As Doenças Psicossomáticas podem ser definidas por perturbações, cuja queixa vem acompanhada de alterações clinicamente constatáveis, ou seja, são doenças causadas ou intensificadas por razões emocionais.Estas doenças não são imaginadas pelas pessoas ou mesmo criadas, elas são o resultado da má administração do estresse e seus desdobramentos. Todos nós sofremos diariamente uma carga de pressão considerável que, com o tempo aprendemos a suportar e conviver. Essa pressão pode tanto nos impulsionar para realizar nossas tarefas e cumprir metas como, dependendo de sua intensidade, gerar desconforto e uma série de reações orgânicas nitidamente reveladoras.Muitas pessoas não se dão conta ou conhecem muito pouco seus limites de estresse. São capazes de ultrapassá-los com tanta facilidade como se isso fosse um sinal de força, dedicação e determinação. Será que isso é verdadeiro?Ultrapassar limites envolve recursos emocionais, discernimento, ponderação, confiança, determinação, reconhecimento dos sentimentos negativos, dentre outros fatores, além de preparo físico, boa saúde, cuidado com a alimentação, descanso e prática de exercícios físicos leves e regulares. Ultrapassar limites não deveria ser uma prática, mas uma circunstância. Será que nos preparamos de fato para ultrapassar nossos limites com tanta freqüência?A resposta é não Não temos claro o que representa ou mesmo o que é o tal estresse e o que ele pode nos causar. Achamos que conosco nunca vai acontecer nada, somos diferentes e não estamos de fato correndo tanto risco assim.Muitas das doenças conhecidas nascem nas dores emocionais e não estamos falando de fatos impactantes como perder um ente querido, um trabalho, separação, mas, sim, de tensões, irritações e frustrações do dia-a-dia que excedem o razoável. Aquele estímulo negativo insistente e diário como passar horas trânsito, fazer refeições com pressa no meio do local de trabalho, tratar de trabalho enquanto se alimenta, pular refeições, não ter hora para sair do escritório, exercer tarefas com graus comprovados de tensão e não obedecer aos descansos indicados, além de dormir pouco e não descansar, não fazer exercícios leves regulares, fumar e beber, dentre outros, são chamados estímulos estressores que podem nos conduzir as doenças psicossomáticas. Entendemos por estímulo estressor é todo e qualquer estímulo que seja capaz de provocar o surgimento de um total de respostas orgânicas, mentais, psicológicas e comportamentais, relacionadas com alterações fisiológicas. Analisando a nossa rotina, seremos capazes de identificar uma série de estímulos estressores com os quais convivemos e já nos adaptamos de alguma forma. Estes estímulos já fazem parte de nossa vida e, no momento, não são capazes de causar grandes transtornos. Cada pessoa é capaz de suportar um tanto de estresse no seu dia-a-dia, mas se este limite ou suporte estiver muito estreito, qualquer situação nova, positiva ou não, pode levar este indivíduo a se comprometer física e psicologicamente. Alguns exemplos clássicos das Doenças Psicossomáticas são: asma brônquia, hipertensão arterial essencial, psoríase, reto colites ulcerativas, alergias, gastrites, câncer, dentre tantas outras. As doenças psicossomáticas nascem no silêncio de nossas rotinas, nas frustrações, angústias, ansiedades e tristezas que podem nos acompanhar em todos os dias das nossas vidas. Felicidade e saúde são objetivos que se constroem todos os dias, com realizações simples e atos pequenos a nosso favor, como: ouvir uma boa música (no carro que seja), não exagerar na comida, tomar um sorvete andando na rua em um dia quente, sair mais cedo de casa para não pegar tanto trânsito, ligar para um amigo que faz tempo que não vemos, chegar do trabalho e dar uma caminhada, tentar dormir mais cedo, ser pró-ativo e não deixar que os problemas cresçam de maneira angustiante e tentar ter paciência com a vida.Somos muito mais competentes do que imaginamos para nos proteger e nos realizar. O que precisamos é acreditar nisso.Silvana Martani é psicóloga da Clínica de Endocrinologia da Beneficência Portuguesa de São Paulo
http://www1.uol.com.br/bemzen/ultnot/geral/ult491u170.htm
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